É BOM PORQUE
Gostei tanto, tanto deste livro que é psicológico, mas também tem mistério e uma pitada de policial, devorei-o sem parar e não queria que terminasse. A narrativa desenrola-se na perspetiva de Lea, uma mulher que regressa à terra da sua infância para criar uma família, mas a morte repentina e suspeita de Vittoria, uma carismática membro da comunidade local, mergulha Lea numa espécie de crise existencial. Para lidar com isso, dedica-se a tentar entender o mistério da morte de Vittoria porque parece impossível que uma nadadora experiente se afogue na sua banheira, e retrocedemos vinte anos antes para a altura em que Vittoria chegou à terra acompanhada de Mara, uma mulher muito mais jovem, que não era parente, mas claramente muito mais do que uma amiga. A voz de Lea é envolvente e consegue contar muito sobre a vida sufocante de um lugar pequeno onde todos sabem e falam sobre todos, mas numa anáfora crescente com memórias e descobertas, podemos compreender como as pessoas e as vidas dos outros permanecem sempre apenas parciais nas nossas existências e que dos outros só nos é dado aquilo que eles realmente desejam que saibamos sobre eles. Este livro é uma homenagem à terra natal da escritora, Scauri, uma aldeia costeira entre Roma e Nápoles, e aos mortos que, de alguma forma, estão sempre entre os vivos pelas memórias que deixaram. Uma leitura maravilhosa!
Quem Diz e Quem Cala de Chiara Valério
PONTOS A FAVOR
🗣️ Incentivo ao diálogo: segredos que escondemos, relações de amizade, trauma, vida numa pequena vila
🇺🇸 Meio policial, meio mistério, meio psicológico
📝 Leitura voraz e galopante
🇮🇹 Autora italiana
SINOPSE
Quando a morte de alguém numa aldeia pacata traz consigo a revelação de um passado silencioso, começa a revelar-se quem diz e quem cala segredos alheios…
Scauri, no mar Tirreno, a menos de duas horas de Nápoles e de Roma, é o destino habitual de mais de cem mil veraneantes; mas no inverno é uma aldeia pacata, nem bonita nem feia, onde vive a jovem advogada Lea Russo que, apesar de tudo, talvez preferisse morar num lugar mais sofisticado. Mesmo assim, a chegada de Vittoria, uma mulher citadina de meia-idade que veio acompanhada de Mara - uma rapariga que não se sabe se é sua filha adotiva, protegida ou amante -, acabou por animar as hostes daquele lugar, sobretudo porque Vittoria é muitíssimo interessante e comunicativa (embora nunca deixe saber mais de si própria do que realmente quer) e por ali prometeu ficar, dado que comprou casa em Scauri. Como seria de esperar, Lea e Vittoria tornam-se, com o tempo, grandes amigas.
Depois de um fim de semana fora, em casa de amigos, a notícia que Lea e o marido recebem no regresso é terrível: Vittoria foi vítima de um estúpido acidente na banheira e morreu. Lea fica incrédula e, quando fala com Mara sobre o assunto, não se convence do que esta lhe conta; e menos convencida fica de que se tratou de um mero acidente quando aparece na aldeia para tratar de testamentos e heranças o distinto marido de Vittoria…
Este é um romance extremamente original entre o policial, a história do meio pequeno e a narrativa psicológica, em que a revelação de um passado silencioso se opõe diante de um presente estridente.Em Quem Diz e Quem Cala, cada página é uma surpresa, tudo pode sempre mudar.
















