Porque grandes histórias mudam o mundo
Escolhemos todos os meses leituras que nos fazem refletir, que nos ensinam, divirtem mas, acima de tudo, que elevam as vozes das mulheres. Acreditamos no poder dos livros para nos ensinar sobre o mundo através das histórias.








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A Educação Física
Coming of age / contemporâneo
Um romance arrebatador para iniciar o ano. Catalina é uma jovem de 16 anos parada numa estrada a pedir boleia porque fugiu da casa da amiga onde estava. Enquanto espera e as horas passam, nessa contagem decrescente até à hora limite para chegar a sua casa, conhecemos esta narradora através de contínuos saltos temporais ao passado que nos mostram como é a sua vida, a família, os amigos, a relação consigo mesma, com o seu corpo, com a sociedade em que vive e os abusos que viveu pelo simples facto de ter nascido mulher. Para as leitoras que cresceram nos anos 90 como eu vai ser impossível não se conectarem com as coisas que a Catalina nos conta, um relato inocente, duro, repugnante e real porque todas já vivemos algumas das experiências que lemos e provavelmente na altura não estávamos cientes dos perigos reais e hoje entendemos muitas dessas coisas e atribuímos significados diferentes daqueles que atribuímos na época. Um romance cheio de simbolismo que destaca como foi e é difícil para as raparigas crescerem num mundo que normaliza o abuso e insiste em culpá-las (culpar-nos) pelo fato de serem mulheres. É duro e desconfortável, mas real como a própria vida. Leitura universal para meninas e mulheres adultas.

Rosario Villajos é uma escritora espanhola de 1978. Formou-se em Belas Artes e trabalhou na indústria musical, cinematográfica, hoteleira, viveu em vários países e virou-se para a escrita após publicar uma novela gráfica em 2017. Este é o seu terceiro romance.
A Oferenda do Pescador
Histórico / mistério / drama
Preparem-se para uma viagem imersiva a uma pequena vila piscatória na Escócia em 1900 onde um menino desapareceu no mar e o corpo nunca foi encontrado. Anos mais tarde, outro menino dá à costa, da idade e parecido ao outro, e as linhas que separam a realidade da esperança e da lógica começam a esbater-se. Ao longo da narrativa vamos conhecendo os habitantes desta vila e as suas ligações desde o dia em que Dorothy chegou para ser a nova professora da escola e ficou claro que nunca se integraria naquela comunidade tão unida. Mesmo depois de duas décadas a viver lá, mesmo depois de perder o seu filho para o mesmo mar que lhes dá sustento a todos. É uma história com dois tempos e vários pontos de vista, composta por pequenos capítulos; passando do presente para o passado, sem interrupções. Há uma tristeza, uma dor e uma solidão penetrantes, tão densas e frias como a neve que envolve a aldeia e que conseguimos sentir. E quando é pedido a Dorothy que cuide temporariamente daquele menino que não fala e que ninguém sabe quem é, a dor de tudo o que guardou dentro dela vai libertá-la ou destruí-la? Há segredos que todos escondem, há superstições e contos de fadas, há ressentimentos antigos e há a memória coletiva da aldeia. Uma leitura sobre encontrar um caminho através da dor e do luto até à gratidão e à compaixão. Maravilhoso!

Julia R. Kelly cresceu numa casa sem televisão, pelo que dedicou toda a sua vida a ler tudo o que apanhava e tornou-se professora de inglês para poder transmitir a sua paixão pelos livros às novas gerações. Ganhou vários prémios e concursos de escrita, mas este é o seu primeiro romance publicado. Usa uma cadeira de rodas e aprendeu a apreciar ainda mais as viagens que as palavras escritas podem proporcionar
Desamparo
Contemporâneo / familiar / drama
Publicado inicialmente em 2015, este livro belíssimo é um retrato dos tempos que vivemos e do nosso Portugal tão desamparado, aqui bem desenhado nestas personagens e nas suas conexões umas com as outras numa pequena aldeia. A história começa quando Jacinta, já idosa, cai à porta de casa e ninguém se apercebe e a socorre. Nos seus fluxos de pensamentos, conhecemos a sua vida toda no Brasil, os filhos, o regresso a Portugal cinquenta anos depois para cuidar da mãe que a abandonou, as suas dores, a sua solidão e o sentir que nunca se conseguiu encaixar em lado nenhum. "Quando eu estava no Brasil era A Portuguesinha, quando voltei à Portugal era a Brasileira", diz a dona Jacinta, dando-nos o mote para este desamparo que é transversal a todos nós. O livro alterna entre várias vozes, dando-nos a conhecer um núcleo de personagens da aldeia e as suas vidas e dores, com temas que eram atuais em 2015 e continuam a sê-lo dez anos depois: a pobreza, a solidão, a emigração, o abandono, a velhice, o fracasso. Emocionei-me muito e terminei de ler em lágrimas, uma sensação de que todos procuramos coisas que muitas vezes não sabemos onde encontrar e como a solidão e a falta de amparo é a nossa grande luta. Eu sou fã da Inês Pedrosa, foi uma das grandes escritoras que me formou e lembro-me de ser nova e ler e reler o Fica Comigo Esta Noite quando o dinheiro para livros novos era muito pouco e passava o tempo a reler os que tinha. Espero poder levá-la agora através do Book Gang a uma nova geração de leitores.

Inês Pedrosa (1962) é uma das principais escritoras contemporâneas portuguesas, tendo começado a escrever em 1992 e conta aos dias de hoje com mais de vinte livros publicados. Em 2017 lançou a editora Sibila que tem trazido novas edições dos seus romances, como este Desamparo.
Antes que a Luz se Apague
Contemporâneo / literário
Eu sei que não é um livro universal, mas vocês também sabem o quanto eu gosto de vos sugerir leituras fora da vossa zona de conforto e que trazem mais perguntas e reflexões que respostas. Já tinha gostado muito do outro livro de Lara Moreno que encontram no Book Gang, Três Mulheres na Cidade, e este é a edição em português daquele que foi o seu primeiro romance, publicado em Espanha em 2013 e que já traçava os caminhos que talvez a autora mais goste de explorar, o da fuga, o da solidão, o das vidas invisíveis de todos nós. Aqui, temos um jovem casal que abandona a cidade e parte para uma aldeia remota e aparentemente deserta. Aos poucos vão conhecendo as pessoas que lá vivem, as suas histórias, as suas vidas e se tentam adaptar àquela forma de viver em silêncio, sem música, sem imagens, sem mensagens no telefone. Inicialmente é intrigante de se ler porque cabe ao leitor adivinhar as vozes, mas rapidamente começamos a conhecê-las e a identificá-las (o que eu gostei muito). E um dia aparece uma mãe com uma menina e enquanto houver crianças a fazer perguntas, há vida. Não há propriamente um fio condutor ou um enredo per se, os temas são as relações humanas, as batalhas que cada um trava — consigo mesmo, com os outros, a procura de um sentido para a vida, os medos do que deixaremos para trás mediante os caminhos que escolhermos. E Lara já escrevia em 2013 o que, mais de dez anos depois, é cada vez mais uma realidade: a fuga das grandes cidades e da dependência da tecnologia.

Lara Moreno (1978) é uma escritora espanhola e começou a escrever coletâneas de contos e poesia em 2004, e este foi o seu primeiro romance publicado em 2013 e que chega agora a Portugal. Vive em Madrid, onde trabalha como editora e dá aulas de escrita criativa.
A Livraria dos Segredos
Histórico / mistério / amizade
Confesso que inicialmente pensei que seria mais uma leitura sobre espionagem em Lisboa e rejeitei para o Book Gang, mas acabei por folhear o livro e fui surpreendida com um romance envolvente e com mistério, claro, mas inesperadamente emocionante e com um rol de personagens que dão vida a Lisboa de 1940, as ruelas, a luz, a brisa marítima, a sensação de uma cidade intocada, mas profundamente afetada pela guerra. Lara é uma aspirante a atriz inglesa que cresceu no meio do teatro e que, após a morte do pai, viaja até Lisboa para tentar encontrar os seus familiares, mas acaba por ficar por tempo indefinido com a Guerra a ganhar vida na Europa e com a autora a misturar habilmente ficção e realidade para criar uma leitura atmosférica. E a vida dá voltas e reviravoltas até Lara acabar a
trabalhar numa pequena livraria onde se começa a aperceber de trocas de livros misteriosas. Ao longo da história vemos esta personagem a debater-se com a vontade de contribuir para o esforço de guerra, como é dito que todas as mulheres têm de fazer, sentindo que não está a fazer nada realmente útil enquanto se confronta com o sofrimento dos refugiados que usam Lisboa para tentar fugir da Europa. Mas é quando o seu talento como atriz acaba por ser usado para enganar o inimigo e Lara é arrastada para um universo de mensagens codificadas, segredos políticos e atos silenciosos de rebeldia. Não é um romance de guerra, mas uma reflexão sobre como pessoas comuns encontram o seu lugar em tempos extraordinários e sobre encontrar a nossa coragem e acreditar que, por vezes, a vida que nos está destinada não é nada parecida com aquela que imaginávamos. Perfeito para iniciar o ano!














