É BOM PORQUE
Eu sei que não é um livro universal, mas vocês também sabem o quanto eu gosto de vos sugerir leituras fora da vossa zona de conforto e que trazem mais perguntas e reflexões que respostas. Já tinha gostado muito do outro livro de Lara Moreno que encontram no Book Gang, Três Mulheres na Cidade, e este é a edição em português daquele que foi o seu primeiro romance, publicado em Espanha em 2013 e que já traçava os caminhos que talvez a autora mais goste de explorar, o da fuga, o da solidão, o das vidas invisíveis de todos nós. Aqui, temos um jovem casal que abandona a cidade e parte para uma aldeia remota e aparentemente deserta. Aos poucos vão conhecendo as pessoas que lá vivem, as suas histórias, as suas vidas e se tentam adaptar àquela forma de viver em silêncio, sem música, sem imagens, sem mensagens no telefone. Inicialmente é intrigante de se ler porque cabe ao leitor adivinhar as vozes, mas rapidamente começamos a conhecê-las e a identificá-las (o que eu gostei muito). E um dia aparece uma mãe com uma menina e enquanto houver crianças a fazer perguntas, há vida. Não há propriamente um fio condutor ou um enredo per se, os temas são as relações humanas, as batalhas que cada um trava — consigo mesmo, com os outros, a procura de um sentido para a vida, os medos do que deixaremos para trás mediante os caminhos que escolhermos. E Lara já escrevia em 2013 o que, mais de dez anos depois, é cada vez mais uma realidade: a fuga das grandes cidades e da dependência da tecnologia.
Antes que a Luz se Apague de Lara Moreno
PONTOS A FAVOR
🗣️ Incentivo ao diálogo: solidão, medo, vida, morte, abandono, fuga das cidades
👻 Pequena comunidade
📚 Da mesma autora: Três Mulheres na Cidade
🇪🇸 Autora Espanhola
SINOPSE
Um jovem casal em crise abandona a cidade onde vive e parte para uma aldeia remota e aparentemente deserta. Porém, cedo descobre que ali existe mais vida: umas quantas casas, alguns pomares, homens e mulheres que falam o mínimo, que vivem sem imagens, sem música, sem mensagens para responder. Até ao dia em que uma mãe aparece acompanhada de uma menina, filha de todos e de ninguém, e que vem mostrar que, enquanto houver uma criança a fazer perguntas ao mundo, a vida existe, tal como há luz enquanto o pavio da vela arder.
















