É BOM PORQUE
Li este livro maravilhoso no ano passado graças a umas amigas em comum com a Jeovanna que mo trouxeram do Brasil e foi um livro que, na altura, me impactou bastante pela violência subtil e que vai escalando capítulo a capítulo.
Voltei a relê-lo agora para me preparar para a sóirée que tivemos com a Jeovanna e várias coisas que senti: voltei a sentir um grande incómodo, voltei a apaixonar-me por aquela família e amigas, pelas tradições e o peso do legado familiar da Virgínia e voltei a odiar este livro, é um livro que odiamos tanto que queremos recomendá-lo a todas as mulheres e, sobretudo, a todos os homens.
Tal como o Comerás Flores, é um belíssimo trabalho de investigação e de ficção sobre como uma mulher fica presa nas teias de uma relação extremamente violenta, sendo que a violência não tem de ser apenas física para nos destruir. E quando entendemos o título é um revirar do estômago, é uma cena mesmo muito impactante e que vos deixará a pensar nisso durante muito tempo (e que é real).
E depois temos as amigas da Virgínia, uma mulher com nanismo e uma lésbica, a relação delas as três é o que traz emoção e cor à leitura, a amizade realista e que tem os seus altos e baixos, que nos salva, que nos sustenta, que vai insuflar ar para os nossos pulmões murchos.
É uma leitura que nos fala de abuso e dos mecanismos que permitem que ele ocorra, mostrando-nos que não há formação, educação, amizades ou família próxima que possam salvar alguém de entrar numa relação assim. Leitura fantástica!!
Virgínia Mordida Jeovanna Vieira
PONTOS A FAVOR
🗣️ Incentivo ao diálogo: relações abusivas e violência física e psicológica, questões de género e raça
🥹 Leitura compulsiva e emocionante
🏆 Foi o vencedor do Prêmio Kindle de Literatura em 2021, enquanto autora independente, o que lhe garantiu reconhecimento nacional e posterior publicação nacional.
🇧🇷 Autora do Brasil
SINOPSE
«Circunstâncias, nem as suas capacidades, mas estar preso a um mito, a uma ideia errada?»
Virgínia cresceu rodeada de mulheres fortes e de uma família que é o centro da sua história. Com uma carreira de sucesso, amigas que são como irmãs e a certeza de saber de onde vem - e para onde quer ir -, tem tudo sob controlo.
Até conhecer Henrí. Sedutor, magnético e imprevisível, o ator argentino entra, de repente, na vida de Virgínia e depressa se torna o eixo de tudo. A atração é avassaladora. Infelizmente, o que começa como desejo transforma-se lentamente numa relação marcada pelo controlo.
Pela manipulação.
Por uma violência que se infiltra nos gestos mais íntimos.
Uma das estreias mais empolgantes da ficção brasileira, Virgínia Mordida é um romance feroz sobre desejo, abuso e libertação e sobre a força das alianças entre mulheres quando chega o momento de quebrar um ciclo.
