É BOM PORQUE
Um dos meus objetivos para este ano, que espero conseguir concretizar, é trazer todos os meses uma autora portuguesa e ajudar-vos a descobrir livros que (para mim) se destacam, quer de novas autoras, quer de autoras já estabelecidas que me impactam e cuja obra quero levá-la até vocês e incentivar-vos a descobri-la.
E a autora portuguesa deste mês é a Susana Piedade com este seu novo romance. Eu já a queria trazer para o Book Gang, e antes de saber que este livro estava para sair tinha pensado em colocar o seu Três Mulheres no Beiral, de que gostei muito, mas este que é o quarto romance da Susana é uma leitura emocionante e humana sobre um leque de pessoas cujas vidas se entrelaçam na Praceta das Tílias, um retrato infelizmente já tão normalizado dos dias de hoje em que pouco ou nada sabemos das vidas dos nossos vizinhos do lado.
Ao longo da leitura vamos conhecer a Esmeralda e a filha Teresa, cujo segredo vai desmoronar aquela família, a pequena Olívia que desenha o mundo que observa, sobretudo a vizinha na janela, que é Teresa, e o pai Sebastião, um taxista que um dia salva Lúcia de um ataque violento na rua que a deixa com graves sequelas psicológicas.
Cada uma destas pessoas tem uma voz muito própria, cada uma delas a lidar com dores muito particulares que são, ao mesmo tempo, universais, mas acresce uma particularidade: cada pessoa lida com a dor e o trauma de forma individual e a Susana tece estas emoções e este sofrimento com um olhar de empatia.
E depois no fim, tomem atenção, a Susana escreve: até que a porta se abriu. A porta abre-se involuntariamente (e mais não digo), deixando que cada leitor interprete que amanhã chegará à Pracetas das Tílias. Uma leitura impactante! Leiam a Susana!
Uma Porta de Vidro Entre o Céu e o Inferno de Susana Piedade
PONTOS A FAVOR
🗣️ Incentivo ao diálogo: solidão, trauma, violência, abusos, luto
🏆 Autora duas vezes finalista do prémio LeYa
❤️ Várias histórias de mulheres
🇵🇹 Autora portuguesa
SINOPSE
Um romance notável pela sua contenção ao falar de temas extremamente difíceis com extraordinária elegância, um bom retrato da juventude contemporânea.
Na Praceta das Tílias, onde as pessoas mal se veem na azáfama dos dias, ninguém sabe o que acontece na porta ao lado. É entre quatro paredes que nasce esta história.
Esmeralda esforça-se por ser a mãe que lhe faltou em criança e por dar à filha o que não teve. E Teresa parece ter tudo para ser uma adolescente feliz. Porém, uma descoberta perturbadora estilhaça a harmonia familiar e põe à prova os laços entre mãe e filha.
Ao contrário da sua amiga Teresa, Ana Lurdes cresce desamparada numa casa onde o amor não entra, refugiando-se nos poemas que escrevinha nas aulas. Já Sebastião, que guia um táxi pela cidade, anda desnorteado desde a morte da mulher; quem o segura é Olívia, a filha sempre atenta ao que a rodeia - sobretudo quando observa Teresa da janela do seu quarto e desenha o que mais ninguém vê. E Lúcia julga que tem tudo controlado, até ao dia em que sofre um ataque violento; mas, quando volta à casa da infância para se restabelecer, percebe que o maior perigo, afinal, vem de onde menos esperava. A turbulência que abala todas estas personagens levanta o pó do que está para trás, deixando a descoberto cicatrizes e segredos. E, quando tudo falha, até os vínculos mais fortes se podem romper.
Uma Porta de Vidro Entre o Céu e o Inferno - o quarto romance da autora já duas vezes finalista do Prémio LeYa - é uma obra notável pela sua contenção ao falar de temas extremamente difíceis com extraordinária elegância. Surpreende até à última página e oferece-nos um bom retrato da juventude contemporânea.
