É BOM PORQUE
Gostei tanto deste livro diferente de tudo o que já tinha lido e que é a história de uma relação intensa entre o "Narrador" e uma amiga de infância, Fanny, que sofre de profundos distúrbios mentais, e as suas experiências ao continuar a ajudar Fanny nos dias bons e maus ao longo de mais de duas décadas. Baseando-se na relação com a sua irmã mais nova, que faleceu prematuramente, este livro é uma colagem de vinhetas (muito ao género de Aquilo em que Preferia não Pensar que lemos em Novembro de 2025) para criar um retrato desta personagem Fanny e sobre o profundo desejo do Narrador de a compreender. E é uma narração um pouco excêntrica, o que eu gostei, porque é escrito na terceira pessoa, o Narrador não é propriamente o narrador, como se fosse a autora a ver-se a si própria a escrever sobre a sua irmã, achei lindíssimo! Ao longo da leitura, vamos refletindo nas lutas com a saúde mental, mas também sobre este amor que tenta manter os dois unidos — o Narrador, que está preso no papel da amigo vigilante, firme e de confiança, e Fanny, que com dificuldade consegue manter uma aparência de estabilidade. Desta forma, ela é uma amiga querida, desde a infância, mas também, implacavelmente, uma estranha, apesar da sua proximidade ao Narrador. Ele preocupa-se com Fanny, mas também se sente preso do lado de fora, querendo olhar para dentro, mas encontrando o vidro embaciado, o que é a forma mais prática e bela de se tentar relacionar com a doença mental de alguém que amamos. Maravilhosamente introspectivo, é um belo testemunho da vida e do amor duradouro no meio das dores da doença mental.
Um Chapéu de Leopardo de Anne Serre
PONTOS A FAVOR
🗣️ Incentivo ao diálogo: saúde mental, amor, amizade, compreensão
🇫🇷 Autora francesa
📝 Inspirada na relação da autora com a irmã
🏆 Nomeado para o International Booker Prize
SINOPSE
Uma homenagem luminosa e comovente a uma amizade devastada pela doença psíquica, onde Anne Serre transforma a perda numa história bela e inesquecível.
Aclamado como o romance mais comovente de Anne Serre até ao momento e uma «obra-prima de simplicidade, emoção e elegância», Um Chapéu de Leopardo é a história de uma intensa amizade entre o Narrador e Fanny, sua amiga de infância, que sofre de doença psíquica.
Vivendo sempre entre a esperança e o desespero, Fanny deixa transparecer, de forma intermitente, várias facetas da sua personalidade, como a Fanny divertida que um dia roubou um chapéu de leopardo. Porém, essa faceta permanece quase sempre oculta, revelando sobretudo uma Fanny que carrega o peso insuportável da tristeza. É uma pessoa diferente - e essa diferença é aquilo que o Narrador questiona incansavelmente, tal como a autora questiona de forma lúdica a própria forma do romance, levando-nos frequentemente a pensar que o Narrador é, no fundo, o seu alter ego.
Escrito após o suicídio da irmã mais nova de Anne Serre, que tinha uma doença mental, Um Chapéu de Leopardo pode ser lido como a celebração de uma vida tragicamente interrompida ou como uma despedida incrivelmente bela e sensível.CRÍTICAS
O romance de Serre evoca de forma memorável a natureza evasiva da personagem de Fanny através da sua estrutura semelhante a instantâneos: em vez de um arco narrativo mais convencional e cronológico, a história desenrola-se ao longo dos caminhos sinuosos das reflexões do narrador. Os leitores ficarão comovidos com esta história perspicaz sobre a impossibilidade de conhecer verdadeiramente os outros. — Publisher’s Weekly
Adorámos a forma como a obra experimentou – e ampliou – as possibilidades da forma romanesca. Onde traçamos a linha divisória entre a vida e a ficção? Como podemos reinventar a forma do romance contemporâneo através da nossa leitura? Este romance convida os leitores a trabalhar e a brincar – o que há para não gostar nisso? — Júri do Booker Prize 2025
