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É BOM PORQUE

 

Vou já confessar — este era para ter sido um dos livros de Fevereiro, mas acabou por ficar de fora porque não ia chegar a tempo do envio das subscrições. E todos os meses pensava que o queria trazer, mas ia encaixando outras novidades e este foi ficando em espera. E este mês, em que não houve mais nenhuma novidade a encantar-me, posso finalmente falar-vos, recomendar-vos, gritar-vos para lerem este livro. Nem de propósito, foi há uns dias o vencedor do Pulitzer na categoria de não-ficção e livros de memórias.

 

Este livro é a estreia de Yiyun Li em Portugal, mas a autora tem uma série de romances e não-ficção e já venceu inúmeros prémios pelos seus trabalhos. Este é um livro de memórias sobre a morte dos seus filhos Vincent e James, ambos tiraram as próprias vidas, um em 2017 aos 16 anos e outro em 2024 aos 19 anos, e uma reflexão sobre as formas como as palavras falham, mas continuam a ser necessárias para sairmos dos abismos em que possamos viver. Yiyun Li é sobrevivente de um trauma extremo e não embeleza a depressão nem a dor, ela fala da aceitação radical com lucidez e empatia, e fala sobretudo com o leitor com simplicidade e sobre como honrar a dor de outra pessoa.

 

Eu sei que este é um tema pesado, mas todos iremos passar por ele, este é um testemunho arrebatador sobre viver com a dor do luto que persistirá todos os dias e encontrar aceitação nessa dor, mesmo sem a conseguirmos compreender — acrescento que Yiyun Li também tentou o suicídio duas vezes em 2012, altura em que perdeu o interesse em escrever ficção, talvez por isso escreva com uma aceitação que nos parece estranha no nosso vocabulário habitual de luto e pesar, tal como ela diz: a sua tristeza não é um fardo, refletir na natureza da vida, onde tudo vive e tudo morre, foi a sua forma de encarar a dor. Leitura arrebatadora!

Tudo na Natureza Apenas Continua de Yiyun Li

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  • PONTOS A FAVOR

    🗣️ Incentivo ao diálogo: família, luto, maternidade, trauma

    📚 Não-ficção / livro de memórias

    🏆 Livro vencedor do Pulitzer 2026

    🇨🇳 Autora nascida na China (reside nos EUA desde 1996)

  • SINOPSE

    Face ao suicídio dos seus filhos, Yiyun Li escreve um livro sem sentimentalismo ou redenção, literariamente brilhante.

    «Escrever, ensinar, jardinar, ir ao supermercado, cozinhar, tratar da roupa — são atividades que, situando-se no tempo, não rivalizam com os meus filhos, porque eles se tornaram intemporais.»

    Vincent morreu com 16 anos. James morreu com 19 anos. Num intervalo de sete anos, os dois filhos de Yiyun Li escolheram o suicídio, a meio caminho entre a escola e a casa de família. Tudo na natureza apenas continua é um testemunho delicado, revolucionário, que tem origem no abismo, o novo habitat de uma escritora que escolhe professar a aceitação radical destas mortes trágicas.

    Indefetível na eterna condição de mãe, eternamente ligada aos seus filhos, Yiyun Li faz germinar neste livro uma gramática só sua: austera, íntima, capaz de descrever uma das mais extremas experiências humanas, no ponto exato em que a linguagem costuma falhar.

    Num exercício literário inigualável, Yiyun Li fixa para sempre o lugar dos seus filhos no mundo, porque «não há agora e outrora, agora e mais tarde; só agora e agora e agora e agora», mas somente agora e agora e agora e agora», como um tempo que nunca termina, apesar da tragédia.

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