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É BOM PORQUE

 

Como vocês sabem, o Eu que Não Conheci os Homens foi o meu livro favorito do ano passado, pelo que mal soube que este ia chegar, disse logo que tinha de entrar no Book Gang mesmo sem ler, tal a minha confiança. E foi uma viagem sensacional! Publicado nos anos 90, a premissa é tão enigmática quanto a do outro livro: Aline é uma mulher de 35 anos que sente que foi obrigada a silenciar a sua liberdade e a sua voz interior masculina para se moldar aos papéis de género que lhe foram impostos pela mãe, pela sociedade, enfim, um tema transversal a muitas de nós. O livro torna-se fascinante quando entramos nos domínios de Jacqueline Harpman — enquanto espera pelo comboio e lê Orlando, de Virginia Woolf, Aline acorda aquele pedaço do seu espírito que ficou lá atrás aos 12 anos, que se liberta do seu corpo, e instala-se no corpo de um jovem que se encontra noutra mesa, o Lucien. É aqui que conhecemos este alter ego, que passa a ser chamado de Orlanda, que se torna o/a narrador/a porque Orlanda não é nem homem nem mulher, mas é através dele/a que vamos observar e acompanhar como os dois, Aline e Orlanda, vivem separados. O resto deste livro é uma aventura tão divertida quanto o Orlando original de Virginia Woolf onde acompanhamos Orlanda enquanto abre as asas de todas as formas possíveis. A tensão aumenta através do laço biológico entre Orlanda e Aline: que efeito tem a perda de uma parte de si mesma na existência de Aline? Conseguirá Orlanda sobreviver separadamente de Aline? O que está a acontecer à antiga vida de Lucien agora que Orlanda se instalou no seu corpo? Ai, minha rica Jacqueline, uma leitura galopante, filosófica e muito divertida!

Orlanda de Jacqueline Harpman

17,75 € Preço normal
15,98 €Preço promocional
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  • PONTOS A FAVOR

    🗣️ Incentivo ao diálogo: papéis de género, pressão social, identidade

    📚 Autora já tornada clássica

    🥰 Distopia tendo por base Orlando de Virginia Woolf

    📚 Da autora favorita da Helena em 2025

     

  • SINOPSE

    «O romance dos anos 90 sobre troca de géneros que tem de ler agora», The New York Times

    Na gare du Nord, em Paris, Aline Berger aguarda o comboio que a levará de volta a casa, em Bruxelas. Nas mãos, tem um exemplar de Orlando, de Virginia Woolf, e o seu espírito, incapaz de se concentrar na leitura, divaga. Como seria se pudesse habitar o corpo de um homem? E se o corpo desse homem fosse o daquele jovem a umas mesas de distância? Depois de trinta e cinco anos aprisionado, Orlanda, o seu alter ego, liberta-se e instala-se no que antes fora Lucien, alegremente provocando o caos na sua anterior existência e alterando de forma dramática aquelas duas vidas. Distinguido com o Prémio Médicis em 1996 e agora redescoberto, este é um engenhoso romance filosófico que explora o modo como um e outro sexo ocupam o mundo, num sonho andrógino que, depois de Eu Que não Conheci os Homens, confirmou a genialidade de Jacqueline Harpman.

    Não passaremos todos pela vida na mesma ignorância de quem somos, prontos a precipitarmo-nos sobre toda a descrição de nós mesmos que nos dê a ilusão deliciosa de ter uma identidade simples, passível de ser resumida em poucas palavras?

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