É BOM PORQUE
Como é que um livro protagonizado por duas pessoas destroçadas, à beira do precipício, que enfrentam a doença, a marginalidade, a dependência e a pobreza, pode ser tão luminoso, cheio de vida e belo? Uma leitura arrebatadora, arrebatadora, arrebatadora que aborda a complexa relação entre um filho e a sua mãe.
O protagonista, Aleksy, recorda já na idade adulta a evolução dessa relação e os motivos que o levaram a odiar a mãe de forma virulenta. Este romance aborda um tema muito complicado: o amor e o ódio entre uma mãe e o seu filho. Um filho que aprende a amar uma mãe que não sabe amar, uma mãe ausente durante uma infância terrível, marcada pelo luto, e como isso acarreta uma dor atroz nesse filho traumatizado e doente que carrega um inferno consigo.
Aleksy terminou a escola numa instituição de saúde mental onde esteve durante os últimos anos e prepara-se para um verão com amigos quando a mãe lhe faz um último pedido: que passem aquele verão juntos numa aldeia remota em França e depois poderão os dois seguir caminhos diferentes.
É a partir deste verão que o livro vai desbravar temas difíceis que nos comovem profundamente: a perda, a dor da mãe, a falta de vontade de viver, a educação, o distanciamento, os ciúmes, a incompreensão do mundo adulto, o luto dos dois..., mas também nos fala da redenção, da compreensão e da imensa força do perdão.
É um romance pequeno de uma dureza por vezes extrema que me deixou à beira de um choro convulsivo, mas é também uma celebração da vida, apesar de tudo e de todos. Mergulha nas águas turvas das relações entre mãe e filhos, por vezes tão idealizadas pela literatura, não é?, e traz-nos este processo complexo de se conhecerem, de se perdoarem, ai coração, por favor leiam!
O Verão em que a Minha Mãe Teve os Olhos Verdes de Tatiana Tibuleac
PONTOS A FAVOR
🗣️ Incentivo ao diálogo: luto, trauma, saúde mental, relação mãe & filho
❤️ Perdão e encontrar paz na dor
🥰 Livro de estreia desta autora
🇲🇩 Autora da Moldávia
SINOPSE
Um romance sobre a difícil relação entre um filho e uma mãe em busca da redenção possível…
Aleksy recorda o último verão que passou com a mãe, numa pequena vila costeira no Norte de França. Passaram-se muitos anos, mas o seu psiquiatra acredita que a única solução para curar o bloqueio criativo que enfrenta como pintor é reviver as emoções que o dominaram nesse tempo longínquo: ressentimento, tristeza, raiva, saudade, abandono. Como superar o desaparecimento da pequena irmã Mika? Como perdoar a mãe, que sempre o afastou? Como encarar a doença que o consome?
Esta é a história de um irrepetível verão, três meses em que mãe e filho, empurrados pela iminência da morte, finalmente depõem armas e procuram a paz, entre si e dentro de si.
Uma narrativa de uma intensidade inesquecível, tingida pela luz de um verão à beira-mar e pelas brumas da derradeira despedida. Nestas páginas, o sol aquece-nos a pele, respiramos o perfume das flores, mergulhamos no mar e emergimos reconfortados pelo amor que sempre existe entre mãe e filho.
