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É BOM PORQUE

 

Adorei este livro pela sua originalidade e sátira social e, claro, dizer que é uma história sobre uma jovem com daddy issues é subestimar a verdadeira complexidade que se lê nas entrelinhas.

 

Sophia sente-se frustrada com a misoginia do pai, um famoso escritor que nunca soube ser pai, e revive constantemente o verão que passou com ele na Sicília quando era adolescente e o viu levar para casa todas as noites mulheres diferentes. Já o pai, sente-se frustrado com a incapacidade dela de perceber as formas como o mundo mudou entre as suas gerações e, o que ela vê como misogonia, ele entende como outros tempos mais simples.

 

Tudo isto desenrola-se enquanto ele vai, sem saber o que o espera, assistir à peça dela que expõe o seu enorme ego e a sua incapacidade de ser pai, o que o leva a ter um colapso ao ver-se retratado de formas que, no seu entendimento, são injustas e erradas.

 

Esta leitura torna-se divertida e original porque alterna entre três cenas: o pai a assistir à peça; a mãe e a filha a almoçar enquanto esperam que ele assista; e flashbacks do pai e da filha na Sicília naquele verão há muitos anos, num ritmo alternado que nos prende de forma compulsiva.​​ E há aquele momento em que todas as cenas se fundem no clímax, saltando rapidamente, em apenas algumas linhas, para a frente e para trás entre a Sicília, a peça e o almoço, a tensão cresce tão depressa que parece que vai explodir.

 

Mas... o melhor «mas» deste livro, a autora dá tanto ao pai como à filha a mesma complexidade, permitindo-nos criar uma conexão com os dois em vez de nos sentirmos obrigados a escolher um lado: entendemos a frustração de Sophia, mas também a forma como o pai se tenta encontrar neste mundo em constante mudança e onde as redes sociais tornaram toda a nossa vida numa performance, o que torna bastante difícil a comunicação intergeracional.

 

Leitura fantástica!​​​​​

Hipócrita de Jo Hamya

18,80 € Preço normal
16,92 €Preço promocional
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  • PONTOS A FAVOR

    🗣️ Incentivo ao diálogo: a complexidade da relação pai e filha e a comunicação entre gerações diferentes

    ⌛️ Três cenas a acontecer ao mesmo tempo

    😂 Sátira social e muito divertido

    🇬🇧 Autora inglesa

     

  • SINOPSE

    O que acontece quando deixamos de idolatrar os nossos pais? E o que acontece quando começamos a temer os nossos filhos? Um livro sobre a memória e a família.

    O longo verão de 2010 foi passado com o pai na Sicília. com um apertado prazo de entrega do novo romance, o escritor de sucesso pouco (ou nada) acompanhou a filha em idas à praia ou passeios, além de a prender horas infindas em casa, obrigando-a a digitar o que lhe ditava. O prometido programa de férias a dois (após o divórcio dos pais), resumiu-se à solidão de Sophia nas raras saídas e idas à praia, e levou-a a tomar conhecimento de factos da vida para os quais ainda não tinha idade suficiente - quer através do conteúdo do seu trabalho de secretária, quer, noite alta, quando ouvia o pai a fazer sexo com mulheres variadas e desconhecidas que ele engatava nos bares noturnos da vila balnear.

    Estamos agora no verão de 2020, em Londres. Sophia é uma jovem dramaturga com a sua nova peça em cena. As críticas têm sido excecionais, mas o pai, o autor famoso cujos romances envelheceram mal, tem evitado lê-las. Porém, acaba por ir ver a peça, desconhecendo que esta se centra nas férias que ambos haviam passado juntos na Sicília. Enquanto espera o veredito do pai, Sophia almoça com a mãe, discutindo e esmiuçando as relações familiares - a mãe, ligeiramente embriagada; Sophia, profundamente angustiada.

    Com uma magnífica precisão de linguagem e mudanças de espaço e tempo sem costuras, Jo Hamya encaixa a narrativa na duração de apenas uma récita da peça, dando a ver a zanga entre um pai e uma filha, as heranças difíceis que cada geração tem de gerir e a dificuldade de cultivar empatia num mundo que muda à velocidade da luz.

    Um romance extremamente inteligente, por vezes cómico e, inesperadamente, ternurento.

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