É BOM PORQUE
Menon escreve sobre o trauma e o luto tal como se pensa nele, de forma recorrente, não linear, de todos os ângulos ao mesmo tempo. Mas não é apenas uma história de perda, é também sobre como se continua a viver quando nada é mais como antes. E a sociedade entende o luto de um pai, de um filho, de um familiar, de um conjugue, mas não se ensina sobre a morte de um amigo, a sociedade não vê a amizade como uma relação principal na vida de alguém e que pode ser mais importante que uma relação romântica. Marissa é uma mulher destroçada após a perda da sua melhor amiga aos 16 anos e a autora centra este livro em torno de dois dos desastres naturais mais catastróficos deste século, o tsunami da Tailândia em 2004, quando a sua melhor amiga morreu, e o furacão Sandy de 2012, ambos vividos pela personagem em primeira mão. Em 2004, ela vive na Tailândia com o pai, que é investigador marinho, e Marissa tem uma vida idílica, passa os dias com Arielle dentro do mar e a autora dá-nos a conhecer a vida marinha da ilha e a beleza da natureza, esta linha temporal persiste durante o tsunami e no período que se segue, é um relato do desastre tão cru, tão absolutamente devastador, chorei desde esse ponto da história até ao fim. Na linha temporal posterior, Marissa vive sozinha em Nova Iorque e é uma sombra da alma vibrante que costumava ser e só ao longo da leitura compreendemos realmente o que ela viu e viveu e à medida que o furacão Sandy se aproxima, as suas memórias mais dolorosas voltam à tona. Os temas centrais do luto, do Stress Pós-Traumático, da amizade e da resiliência da natureza perante um desastre natural foram tratados com sensibilidade. É um romance de estreia absolutamente assombroso, vai ficar comigo durante muito tempo.
Debaixo de Água de Tara Menon
PONTOS A FAVOR
🗣️ Incentivo ao diálogo: trauma, luto, viver uma catástrofe natural
🌊 Com dois dos maiores desastres naturais do século como pano de fundo
📝 Livro de estreia da autora
🏆 Duas linhas temporais
SINOPSE
Quando Marissa perde a mãe, aos seis anos, é levada pelo pai para viver numa pequena ilha tailandesa, no mar de Andamão. É aí que conhece Arielle e juntas tornam-se companheiras de exploração das maravilhas da natureza envolvente, feita de florestas, recifes e praias. Sustendo a respiração, mergulham cada vez mais fundo e nadam lado a lado com as jamantas, que aprenderam a reconhecer individualmente. Até que, a 26 de dezembro de 2004, um tsunâmi se ergue do oceano Índico e as duas amigas são separadas pelas águas que tanto as haviam unido. Oito anos mais tarde, Marissa vive em Nova Iorque e à medida que uma tempestade de grande intensidade se aproxima vê-se levada de volta ao passado e a uma reflexão sobre a fragilidade da existência. Debaixo de Água é uma história sobre amizade e luto, sobre a beleza e a devastação do mundo natural.
Quando as pessoas descobrem que eu estava lá naquele dia, perguntam se perdi algum familiar. Não sei o que responder. Por vezes, quase digo que sim. Mas, depois, fico irritada com elas e comigo. Detesto quando as pessoas dizem que éramos como irmãs. Ela não era minha irmã. Não escolhemos os nossos irmãos. Nós escolhemo-nos uma à outra.CRÍTICAS
Oscilando entre os dias que antecederam o tsunami e as horas que precederam a chegada do furacão Sandy a Nova Iorque em 2012, o romance explora com ternura, mas sem vacilar, o luto de Marissa, ao mesmo tempo que reflete sobre a amizade, a perda e a beleza cintilante da memória — tão efémera como a luz que se filtra através das águas rasas do oceano e, no entanto, igualmente duradoura. Deslumbrante e complexo; um livro que não admite respostas fáceis, mas que também se recusa a evitar as perguntas difíceis. — Kirkus Reviews
