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É BOM PORQUE

 

Este foi um livro que li no ano passado, um dos meus favoritos do ano, que cheguei a destacar num post que fiz com algumas das leituras que mais me impactaram e estava com muita vontade de colocar no Book Gang, porque creio que terá passado muito despercebido em Portugal.

 

O que me fascinou neste livro é que mistura ficção e realidade, através de Anna, a protagonista, que reflete em muitos temas atuais, misturando escritores, notícias, histórias e episódios reais do mundo com as personagens, pelo que a dada altura esquecia-me de que estava a ler um romance.

 

Anna é professora e trabalha na rádio, discute com os seus alunos o legado do #MeToo, amadurecendo juntamente com eles uma série de ideias como o consentimento, o assédio, a liberdade sexual, entre outras, estas discussões com os alunos são extraordinárias e foram das minhas partes favoritas de ler porque nós, leitores, vamos refletindo com os alunos, vamo-nos questionando, concordando ou discordando, mas são estas discussões que nos enriquecem.

 

Mas Anna é também uma mulher que foi abusada aos onze anos pelo professor, e a partir deste trauma infantil tornou-se vítima do instinto de agradar, ou pelo menos de não desagradar os homens, questionando ela própria se tem o direito de se considerar uma vítima se é ela que provoca as situações — e até que ponto liberdade sexual se tornou agora assédio?, tudo é assédio?

 

É uma leitura cativante, cheia de personagens interessantes, que educa os leitores para o consentimento e explora uma série de ideias atuais sobre a cultura da violação. Leiam, leiam, leiam!

Continuo à Espera de que me Peçam Desculpa de Michela Marzano

18,80 € Preço normal
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  • PONTOS A FAVOR

    🗣️ Incentivo ao diálogo: abuso sexual, consentimento, assédio, cultura da violação, feminismo

    ✊🏽 Crítica social e reflexão intensa sobre o movimento #MeToo

    🥰 Mistura pessoas e casos reais com personagens ficcionais

    🇮🇹 Autora italiana

     

  • SINOPSE

    «Mas o corpo não esquece. E por isso é ele que regressa um dia ao local do crime, é ele que quer recuperar o que lhe foi roubado.»

    Um romance que penetra no coração do que significa ser mulher e explora a linha fina e delicada entre consentimento e abuso.

    Houve alturas em que Anna acreditou na igualdade que recompensa independentemente do género, «que não quer saber se usas maquilhagem ou como são as tuas pernas». Mas depois, como muitas raparigas e mulheres, sentia necessidade de ser vista e de se sentir especial. E, perante os olhares, as mãos e as palavras dos homens, não conseguia deixar de ceder - espaço, voz, partes de si -, embora dividida entre o desejo de se mostrar e o pavor de o fazer.

    E agora, que dá aulas num mestrado em jornalismo, dá por si a discutir o legado do #MeToo com muitas jovens, enquanto pensa em todas as vezes que cedeu. Quantas interpretações damos à palavra «consentimento»? Quando é que podemos ter a certeza de que um «sim» não esconde uma hesitação? Anna procura culpados, mas não tem a certeza de se poder considerar uma vítima. Terá de se perdoar a si mesma, olhando para dentro de si com coragem e sinceridade, para se poder aceitar e seguir em frente? Em todo o caso, continua à espera de que lhe peçam desculpa.

    Proposto ao prestigiado Prémio Strega, este é um romance extremamente atual sobre como às vezes só muito tarde as mulheres percebem como sofreram abusos. Com a curiosidade e a inteligência que caracterizam a sua escrita, Michela Marzano convida-nos a refletir acerca da relação ambígua que temos com os outros e com o nosso próprio corpo.

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