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É BOM PORQUE

 

Um dos meus objetivos para este ano, que espero conseguir concretizar, é trazer todos os meses uma autora portuguesa e ajudar-vos a descobrir livros que (para mim) se destacam, quer de novas autoras, quer de autoras já estabelecidas que me impactam e cuja obra quero levá-la até vocês e incentivar-vos a descobri-la. 

 

Que maravilha que foi ler este romance da Marta e voltar ao seu estilo de escrita que já tinha experienciado em Escavadoras, o seu primeiro romance, mas aqui numa narradora peculiar e ligeiramente desnorteada, como eu tanto gosto, cujo hábito é roubar malas de mulher para lhes libertar o peso das mãos porque ser mulher é isto — andar sempre com as mãos ocupadas a carregar alguma coisa. Ao longo dos capítulos, que correspondem a pequenas entradas diárias onde a narradora vai refletindo sobre os mais variados temas e experiências do seu passado e presente, vamos começando a compreender um desinteresse gradual pela vida. Eu diria que é um livro sobre saúde mental, embora isso nunca esteja explícito, é um livro sobre encontrar alguma coisa que nos crie amarras, mas ao mesmo tempo é uma narradora com um sentido de humor que me deliciou, uma narradora que para o carro no meio de uma rotunda e provoca um acidente em cadeia porque apenas queria sentir o sol no rosto, que calça galochas e atira-se para uma poça de lama para poder sentir liberdade. Há traumas e memórias antigas que ela (a Marta, a narradora) vai libertando (para ela e para nós, leitores) ao longo das suas meditações sobre o quotidiano e que se cruza com uma série de outras pessoas de quem pouco sabemos, apenas o que deixaram nas memórias dela. A salvação está em nós, diria eu, encontrarmos uma forma de lidar com a nossa singularidade. Mais uma autora portuguesa que vos convido a descobrir e espero que gostem tanto quanto eu gostei.

Como Caminhar Num Pântano de Marta Pais Oliveira

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  • PONTOS A FAVOR

    🗣️ Incentivo ao diálogo: solidão, traumas antigos, saúde mental, amizade

    👩‍❤️‍👩 sátira e crítica social

    📝 Entradas de um diário que a narradora vai escrevendo

    🇵🇹 Autora portuguesa

  • SINOPSE

    «Liberdade pode ser isto - nenhum peso nas mãos.» Entre o gesto transgressor e a escrita, aqui constrói-se um retrato íntimo e vívido de quem observa o mundo enquanto o corpo dá repetidos sinais de quebra. Uma personagem consciente da proximidade da morte, mas ferozmente avessa à piedade alheia, que inventa para si um modo singular de estar no tempo - cria legendagens para filmes, imagina diálogos, altera sentidos, como se a linguagem ainda pudesse suspender o fim que se avizinha. A culpa é um bicho de muitas cabeças: culpa de quê?

    Na cidade, a narradora de duas vozes cruza-se com figuras laterais e intensas: uma jovem grávida, um amigo esotérico, a dona de uma papelaria. Cada testemunho de encontro revela um fragmento de um espaço urbano entendido como um coro de desajustados, onde todos travam as suas batalhas invisíveis.

    Entre lucidez, ironia e ternura áspera, esta história é uma meditação sobre liberdade, perda e resistência, onde a escrita se afirma como um último ato de insubmissão.

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