É BOM PORQUE
Começo já por dizer: é um livro sobre luto e a viagem individual que cada pessoa irá fazer enquanto lida com a sua própria dor. Gostei tanto, tanto, tanto deste romance.
Linda perdeu a sua filha Sonja, de 17 anos, que foi atropelada por um camião quando se deslocava de bicicleta. Enquanto o seu marido Richard, dois anos após o acidente, vai recuperando lentamente o rumo da vida, Linda permanece presa ao luto e ambos lidam com a situação de forma muito diferente e surge uma fissura no casamento que parece quase impossível de recuperar; para ela, não há saída para a dor e a depressão e vê-se confrontada com uma vida totalmente nova, à qual, inicialmente, não quer fazer face — a sua terceira vida.
A alegria de viver já não existe e ela pergunta-se: como vou conseguir seguir em frente? Linda não aguenta mais viver naquela casa e naquela cidade onde a filha está em todo os lugares e muda-se para uma velha quinta de uma idosa que conhece no hospital para viver um dia de cada vez, o marido visita-a repetidamente, mas Linda também se isola dele.
A partir deste momento, Linda passa a viver sozinha com as galinhas e a cadela Kaja, que era da idosa, e vai-se conectando lentamente com alguns dos vizinhos, sobretudo uma menina com deficiência profunda que passa a frequentar a quinta e a origem desta experiência torna-se clara quando se analisa um pouco a sua biografia, Daniela Krien concilia a carreira literária com a prestação de cuidados de saúde continuados à sua filha que nasceu com deficiência física e mental.
É uma leitura que nos leva numa viagem emocionante e que nos mostra como a vida pode desmoronar-se rapidamente, mas podemos reencontrar o caminho de volta.
O destino de Linda tocou-me profundamente; no final do livro, fiquei sentada com lágrimas nos olhos.
A Minha Terceira Vida de Daniela Krien
PONTOS A FAVOR
🗣️ Incentivo ao diálogo: luto, família, doença, solidão, fim das amizades
✊🏽 Reflexão intensa sobre a forma como a sociedade trabalha com as crianças com deficiência
🥰 Encontrar esperança após uma grande dor
🇩🇪 Autora alemã
SINOPSE
Aos 40 anos, ela tinha tudo, e perdeu tudo. Uma história de redescoberta depois da devastação, tecida com delicadeza e esperança.
«Na luz pálida de inverno deste dia de janeiro, estou sentada à janela da cozinha, bebo chá de gengibre acabado de fazer com muito mel e observo o pátio lá fora. […] Paira sobre a paisagem uma massa cinzenta uniforme que engole toda a alegria e abafa todas as sensações, as más como as boas. Sinto qualquer coisa, mas é qualquer coisa que não quer sair: um pequeno raio de luz, que quase não se vê e que, no entanto, sustenta a minha vida.»
Depois de um infortúnio que lhe roubou Sonja, a filha adolescente, Linda muda-se da cidade para uma aldeia, e isola-se numa casa inóspita. Dedica-se a cuidar da quinta, dos animais e da cadela Kaja. Resta-lhe pouco mais do que a bondade de estranhos — um casal de vizinhos e uma mulher da sua idade, mãe de uma rapariga com autismo.
Neste quotidiano agreste e solitário, cultiva com dedicação a memória da filha que perdeu, fixando a sua presença imaterial e mantendo intocado um laço perene. Quando Richard, o marido de quem se afastara, adoece, Linda decide ficar ao seu lado. Nada fazia prever o momento epifânico que, depois de tudo, lhes traz o alento há muito perdido.
